Grande Encontro do Associativismo: Flávio Bolsonaro fala em ‘tesouraço’ em impostos

Do Diário do Comércio
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, reuniu-se com as Associações Comerciais e o setor produtivo na tarde desta terça-feira, 13/10, para falar sobre seu plano de governo caso sua campanha saia vitoriosa na corrida eleitoral. O Grande Encontro do Associativismo reuniu cerca de 2500 representantes do comércio, indústria e do agronegócio.
Flávio falou sobre reforma administrativa. Em suas propagandas na TV, tem anunciado que pretende cortar ao menos dez ministérios e cargos comissionados. Por outro lado, também tem dito que pretende criar novas pastas, como o Ministério da Prosperidade, ligado a causas sociais. A contradição entre cortes pretendidos e a criação de uma nova pasta gerou polêmica.
“Quando anuncio o Ministério da Prosperidade, é para abraçar quem precisa de incentivo, mas sem um governo gastador que diminui o poder de compra com altíssimos impostos, os quais jogam o Brasil para a informalidade e a sonegação fiscal”, justificou o candidato no evento do setor produtivo.
Também citou a reforma tributária, destacando que considera a simplificação pretendida positiva, mas que pode ter um IVA maior do que o esperado. “Sou crítico dessa reforma tributária que vai ter o maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo, estimado em 28%, e que pode ficar acima disso”, disse Flávio.
Há uma indefinição sobre a alíquota da CBS – que começa a vigorar em janeiro de 2027 -, que, juntamente com o IBS, forma o IVA. Essa indefinição tem preocupado principalmente empresas do Simples Nacional, que têm de escolher se permanecem no Simples ou optam pelo recolhimento da CBS e do IBS de forma separada.
O senador evocou o nome do pai e ex-presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que pretende fazer um “tesouraço” em impostos e na burocracia. “Vou revogar mais de mil atos normativos do atual governo. Vou fazer igual a Jair Bolsonaro: quando a arrecadação subia, cortavam-se mais impostos. É preciso acabar com a crise de credibilidade. Como se faz um plano de 20 a 30 anos se a lei muda do nada?”, disse o presidenciável.
Junto de Flávio, Daniella Marques, coordenadora econômica da sua campanha, falou sobre mudanças que pretende emplacar na economia caso saia vitoriosa. “O modelo econômico atual colapsou, sendo sufocado pela burocracia e pelo excesso de impostos que sequestraram o Brasil. Nosso plano de ação envolve tirar o Brasil do vermelho, promovendo um choque de produtividade, reduzindo o Custo Brasil e implementando uma agenda robusta de mobilidade social.”

O candidato também fez referência ao governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, ex-ministro do governo de Jair, que passou a se fazer mais presente na campanha de Flávio após ficar o primeiro turno à distância da disputa eleitoral. “Vou fazer o Smart Brasil, inspirado no Smart Sampa, e a Muralha Brasil, inspirada no governo Tarcísio. Quem acha que sou radical na segurança pública, ainda não viu nada”, disse Flávio ao empresariado.
As referências usadas pelo candidato foram programas de monitoramento que usam câmeras de reconhecimento facial e inteligência artificial para identificar crimes e criminosos na cidade de São Paulo, no caso do Smart Sampa, e no Estado, com o Muralha Paulista.
Tarcísio defende pequeno empresário
Presente ao evento, o governador de São Paulo falou sobre a valorização do empreendedor. “Devemos focar no microempreendedor individual (MEI), pois é quem gera riqueza e merece menos impostos. Quem trabalha, produz e assume riscos é o empresário. O setor produtivo está sucumbindo devido aos juros altos, e a verdadeira mudança econômica vem de dar suporte a quem produz. O Brasil tem uma força enorme. O empreendedor brasileiro não pode ser como um ‘elefante acorrentado’ que desconhece a própria força. Liberar esse potencial pode transformar o país”, disse o governador.
Cotait quer ampliar a pauta
Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, da Facesp e da ACSP São Paulo entregou a Flávio Bolsonaro o Projeto Brasil de Amanhã, um extenso material elaborado pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) e pela Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), com propostas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e melhoria do ambiente de negócios.
“O objetivo é avaliarmos juntos essas pautas e adotarmos o que for melhor para impulsionar o setor produtivo e gerar crescimento econômico no país. Gostaria de sugerir alguns pontos para a nossa próxima discussão, como a defesa do Simples Nacional, voto distrital e responsabilidade fiscal. A intenção desse estudo é que o grupo avalie as propostas e adote o que for mais adequado para fortalecer o setor produtivo e promover o desenvolvimento econômico do país”, disse Cotait.