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CMEC leva agenda de empreendedorismo feminino e inovação ao BRICS, na Índia

Tecnologia, acesso a investimentos e expansão internacional de negócios liderados por mulheres estão no centro da participação brasileira no BRICS WBA Women-Led Development Summit 2026, em Nova Délhi, na Índia. Ana Claudia Badra Cotait, presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), integra a delegação empresarial brasileira, formada por 19 integrantes.

O Summit ocorre em 9 de setembro, às vésperas da 18ª Cúpula do BRICS, marcada para os dias 12 e 13 de setembro. A programação reúne lideranças empresariais, empreendedoras, representantes de governos e especialistas dos países do bloco para discutir temas como tecnologias digitais, inteligência artificial, inovação, startups, acesso a capital e desenvolvimento econômico.

Ana Claudia participa do primeiro painel temático do Summit, “Advancing Women in STEM, Digital Technologies and Innovation: From Classroom to Frontier”. A discussão aborda a participação e ampliação de mulheres em STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) desde a formação básica, qualificação profissional e acesso a novas oportunidades até a presença feminina em inteligência artificial, automação e tecnologias de fronteira.

Para Ana Claudia, ampliar a presença feminina na tecnologia exige avançar também na transformação desse conhecimento em negócios. “Queremos discutir como o digital pode ampliar o alcance das empreendedoras e de que forma a tecnologia pode devolver tempo para elas. Também queremos entender como aproveitar melhor as novas fronteiras tecnológicas, inclusive com o uso da inteligência artificial”, afirma.

A missão brasileira permanece em Nova Délhi até 12 de setembro. Além do Women-Led Development Summit & Exhibition, a agenda inclui o Women’s Business Alliance Annual Meeting, o BRICS Business Council Annual Meeting e o Fórum Empresarial do BRICS 2026.

BRICS discute futuro dos negócios liderados por mulheres com foco em tecnologia e investimentos

INVESTIMENTO E ESCALA

O acesso a capital é outro eixo da agenda. A programação oficial do Summit prevê uma sessão específica sobre startups lideradas por mulheres e ecossistemas de inovação, com discussões sobre financiamento, investimento com perspectiva de gênero, fundos de desenvolvimento, redes de mentoria e conexões internacionais.

Nesse contexto, o CMEC apresentará a experiência do UpStarts, programa que identifica e impulsiona negócios inovadores liderados por mulheres.

A terceira edição, realizada em maio, superou 700 pré-inscrições e validou 237 candidaturas, crescimento de 182% em relação ao ano anterior. O programa premiou cinco negócios e distribuiu R$ 46 mil em prêmios, além de oferecer mentorias, apoio para registro de marca e certificação digital às vencedoras.

A participação no BRICS busca aproximar essas empreendedoras de investidores, fundos e parceiros internacionais, além de ampliar a visibilidade de negócios brasileiros em uma agenda que reúne empresas e organizações dos países do bloco.

“Queremos apresentar startups lideradas por mulheres e identificar investidores-anjos, fundos e apoiadores que possam se aproximar desse universo de empresas. O objetivo é fazer com que essas conexões continuem depois do Summit e possam gerar negócios”, afirma Beatriz Guimarães, vice-presidente do CMEC Nacional e presidente do CMEC-DF, que também integra a missão brasileira.

GAMES E ECONOMIA DIGITAL

O setor de games também está entre os interesses da delegação brasileira. A atividade reúne programação, desenvolvimento de software, criatividade e negócios digitais e pode ampliar a participação feminina na economia baseada em tecnologia.

O CMEC apoia essa agenda por meio do Brasília Game Hub (BGH), iniciativa voltada ao desenvolvimento, incubação e aceleração de negócios de games no Distrito Federal. A missão pretende conhecer experiências indianas de formação, inovação e desenvolvimento de empresas de tecnologia e avaliar práticas que possam ser adaptadas ao ecossistema brasileiro.

“Queremos conhecer as boas práticas da Índia e entender como elas podem contribuir para o desenvolvimento do ecossistema brasileiro de games, especialmente para ampliar a participação das mulheres”, acrescenta Beatriz.

Além dos games, a agenda do BRICS WBA inclui temas como saúde, sistemas agroalimentares, economia inclusiva e desenvolvimento de ecossistemas de inovação.

CONEXÕES PARA ALÉM DO SUMMIT

A participação brasileira também tem como objetivo ampliar relações empresariais entre mulheres dos países do BRICS. A programação inclui espaços para apresentação de startups, intercâmbio de conhecimento e construção de parcerias entre empresas e organizações. A própria exposição do Summit é dedicada a negócios liderados por mulheres e prevê interação com executivos, delegações e parceiros internacionais.

Para Ana Claudia, a relevância da agenda está na possibilidade de transformar a participação internacional em relações empresariais concretas.

“Uma participação internacional só faz sentido quando conseguimos transformar relacionamento em oportunidade. Queremos voltar com conexões que possam gerar parcerias, investimentos, intercâmbio de conhecimento e novos caminhos para que empresas brasileiras possam acessar outros mercados”, afirma.

A Índia assumiu a presidência da BRICS Women’s Business Alliance em janeiro de 2026, sucedendo o Brasil. A WBA atua para ampliar a participação econômica e o empreendedorismo feminino nos países do bloco, com frentes de cooperação que incluem inovação, saúde, indústrias criativas, segurança alimentar e ambiental, economia inclusiva e turismo.

“A participação no encontro representa uma oportunidade de entender como outros países estão criando ambientes mais favoráveis para que mulheres desenvolvam negócios de base tecnológica e consigam levá-los a uma escala maior”, conclui Ana Claudia.

Fontes: Diário do Comércio e Brics WBA.