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Crise beneficia venda no setor de autopeças e acessórios, informa pesquisa da Associação Comercial de SP

São Paulo, 31 de outubro de 2016. A crise e a queda da renda estão levando o consumidor a investir mais na manutenção de seu veículo, ao invés de comprar um novo. É o que aponta o Boletim n°28 da pesquisa ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ela mostra que o setor de Autopeças e Acessórios foi o único com crescimento no volume de vendas nos primeiros oito meses do ano; a alta foi de 3% sobre igual período de 2015. O segmento também se destacou no mês de agosto, com a menor perda (-1%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Por comercializarem produtos essenciais – mais resistentes à crise -, os setores de Farmácias e Perfumarias (-1,5%) e Supermercados (-3,3%) foram os que caíram menos no acumulado de janeiro a agosto. Mas, em agosto, houve retrações de 9,2% e de 11%, respectivamente, explicadas pela intensidade da crise, pela inflação e pelo aumento do desemprego e pela queda da massa salarial.

Maiores quedas

Os segmentos mais dependentes de crédito – mais caro e escasso em 2016 – tiveram as retrações mais acentuadas. O pior resultado foi nas Lojas de Móveis e Decorações, com recuos de 15,6% (no acumulado janeiro-agosto) e de 19,3% (no mês de agosto), em relação aos mesmos períodos de 2015. O desempenho é justificado não apenas pelo crédito, como também pela ligação com o setor de imóveis, prejudicado pela crise imobiliária.

Nas Lojas de Vestuários, Tecidos e Calçados, as quedas foram de 12,5% no período acumulado e de 14,5% em agosto.

Já o segmento intitulado Outros Tipos de Comércio Varejista apresentou reduções de 11,1% (janeiro-agosto) e de 19,1% (agosto). Foi impactado principalmente pela venda de combustível, que tem caído em decorrência do menor uso de automóvel em tempos de recessão. O setor inclui: combustíveis para veículos automotores; lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria; artigos recreativos e esportivos; joias e relógios; gás liquefeito de petróleo; artigos usados; outros produtos.

Nas Concessionárias de Veículos as quedas foram de 10,3% (período acumulado) e de 14% (agosto). E as Lojas de Departamentos, Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos apresentaram perdas de 10,3% (janeiro-agosto) e de 9,8% (agosto).

Juntos, todos os segmentos do comércio paulista registraram quedas de 7,3% nos oito primeiros meses do ano e de 12,3% em agosto.

“Esses resultados negativos continuam sendo explicados pelo maior desemprego, pela contração do crédito e pela queda na renda das famílias, o que puxa para baixo a confiança do consumidor e a disposição para comprar”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp. “A recuperação dependerá essencialmente da restauração desses indicadores e da continuidade da redução das taxas de juros”, acrescenta ele.

A pesquisa ACVarejo é elaborada pelo Instituto de Economia da ACSP a partir de dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e de índices de inflação setoriais extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mudança metodológica

Nesta edição da ACVarejo, o volume de vendas passou a ser calculado a partir de índices de inflação setoriais do Estado de São Paulo, extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A utilização desses índices permite resultados mais precisos para as vendas, ao corrigir os dados do faturamento nominal pela respectiva variação dos preços de cada um dos segmentos considerados, que tende a não ser a mesma.

Veja na íntegra: Boletim ACVarejo (contém volume de vendas e faturamento dos varejos ampliado e restrito no Estado e em cada região paulista)

Setores – volume de vendas:

Acumulado janeiro a agosto* Agosto*
Autopeças e Acessórios +3% -1%
Concessionárias de Veículos -10,3% -14%
Farmácias e Perfumarias -1,5% -11%
Lojas de Departamentos, Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos -10,3% -9,8%
Lojas de Material de Construção -7,6% -7,5%
Lojas de Móveis e Decorações -15,6% -19,3%
Lojas de Vestuários, Tecidos e Calçados -12,5% -14,5%
Outros Tipos de Comércio Varejista** -11,1% -19,1%
Supermercados -3,3% -9,2%
TOTAL -7,3% -12,3%

* sobre mesmos períodos de 2015

** combustíveis para veículos automotores; lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria; artigos recreativos e esportivos; joias e relógios; gás liquefeito de petróleo; artigos usados; outros produtos.

Mais informações:
Renato Santana de Jesus
Assessoria de Imprensa
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