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"O teto que sufoca o futuro: por que o Brasil precisa libertar as micro e pequenas empresas", por Ana Claudia Badra Cotait

Notícias 19 de junho de 2026

Artigo publicado no Monitor do Mercado 

Por Ana Claudia Badra Cotait 

Criado em 2009 para combater a informalidade, o Microempreendedor Individual (MEI) cumpriu com excelência sua missão histórica. Contudo, o desafio do Brasil atual mudou de patamar: não basta abrir as portas do mercado formal, é preciso impedir que as pequenas empresas fiquem aprisionados dentro de suas próprias estruturas. 

O país assiste a um avanço histórico de mulheres à frente dos negócios. Dados consolidados do Sebrae apontam que, no início de 2025, o Brasil já somava 15,6 milhões de MEIs. Nesse cenário de forte dinamismo, as mulheres empreendedoras lideram um recorde expressivo de abertura de CNPJs, respondendo por mais de 41% das empresas ativas no país. Em São Paulo, estado que lidera o ranking em volume absoluto, levantamentos publicados no início de 2026 revelam um aumento de mais de 50% na liderança feminina nos últimos três anos. 

A força produtiva das mulheres é indiscutível. No entanto, a nossa estrutura tributária pune quem ousa prosperar. Quando congelamos o teto de faturamento do MEI e sufocamos as faixas do Simples Nacional, criamos um cenário que engessa. No momento em que a dona de um salão de beleza ou a prestadora de serviços expande suas vendas, ela se depara com um abismo burocrático e custos tributários desproporcionais, vendo-se forçada a frear seu crescimento ou retroceder para a informalidade. 

O Estado demonstra extrema agilidade para atualizar as obrigações e os custos do setor produtivo. Prova disso é que a nova guia DAS de 2026 foi reajustada (variando entre R$ 82,05 e R$ 87,05) para acompanhar o salário mínimo de R$ 1.621, fixado pelo Decreto nº 12.797/2025. Mas, quando o assunto é atualizar a capacidade de faturar e gerar empregos, o ritmo em Brasília é de tartaruga. 

A resposta regulatória para este impasse precisa ser célere e conjunta. No Parlamento, defende-se a urgente aprovação do bloco de reformas que tramita via PLP 67/2025 (apensado ao PLP 108/2021) na Câmara e do PLP 60/2025 no Senado. Essas medidas não apenas elevam o teto do MEI para R$ 150 mil anuais e permitem a contratação de até dois empregados, mas também corrigem os limites das Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), trazendo fôlego ao Simples Nacional. Além disso, pautas recentes, como o Novo Simples Nacional (PLP 140/2026), propõem alargar o teto de permanência do regime para patamares muito mais realistas frente à inflação. 

É de extrema importância aumentar o limite do Simples Nacional e do MEI no mesmo projeto. Esse é um caminho para incentivar o sonho das pessoas de crescerem. Se houver maior lastro no limite de apenas um ou de outro, a pessoa será impedida de vislumbrar um futuro melhor, que poderia existir por meio de seu trabalho. 

O setor produtivo não clama por privilégios, mas por sobrevivência econômica. Libertar o MEI e o Simples Nacional de suas amarras atuais é o passo mais urgente para acolher o futuro que o Brasil real já está construindo.

Ana Claudia Badra Cotait é presidente do CMEC– Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura 

Fonte: https://monitordomercado.com.br/noticias/visoes-de-mercado/397631-opiniao-o-teto-que-sufoca-o-futuro-por-que-o-brasil-precisa-libertar-as-micro-e-pequenas-empresas/

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