
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República, apresentou propostas voltadas à classe empreendedora nesta quarta-feira (12/08), na capital paulista. O encontro foi promovido pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), pela Facesp e pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e reuniu cerca de mil empreendedores e lideranças políticas e empresariais no Clube Atlético Monte Líbano. O candidato a vice-presidente na chapa, Gilberto Kassab, também esteve presente.
O evento marcou a terceira edição do Encontro do Associativismo, iniciativa do Conselho Político e Social (Cops), da ACSP, para debater propostas de candidatos à Presidência com o setor produtivo. Antes de Caiado, já haviam participado: Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Romeu Zema e Augusto Cury.
SIMPLES NACIONAL
Na área econômica, Caiado defendeu a atualização do teto de faturamento do Simples Nacional. Segundo o candidato, o pequeno empreendedor enfrenta dificuldade para sustentar uma taxa de juros real próxima a 9% ao ano.
A ampliação dos limites de faturamento das empresas do Simples Nacional é uma demanda das Associações Comerciais. Há projetos tramitando no Congresso Nacional nesse sentido, mas a perspectiva é que o ajuste nos limites alcance apenas o microempreendedor individual (MEI).
Caiado criticou ainda o descompasso entre receitas e despesas públicas e cobrou maior transparência na regulamentação da Reforma Tributária, com preservação de regimes simplificados para pequenos negócios.
Sobre tecnologia, o ex-governador propôs maior articulação entre governo, universidades e iniciativa privada para agregar valor à produção nacional. Citou como exemplos o desenvolvimento de semicondutores, baterias e turbinas a partir de recursos minerais brasileiros. Defendeu também parcerias internacionais para atrair investimentos em inteligência artificial (IA) e criticou a ausência de um marco regulatório atualizado para o setor no país.

“Algo que temos que desbravar é a eficiência. O que podemos produzir com a IA? Não podemos abrir mão dessa última janela; já perdemos a globalização, perdemos a geração de energia. Somos o país mais rico em fontes renováveis do mundo e o governo só debate coisas rasteiras. Até hoje, o Brasil não tem o marco civil da IA, e o pouco que tem se aproxima de um conteúdo ultrapassado e restritivo à criatividade. O sistema brasileiro afugenta o mundo, a Amazon está investindo bilhões na Índia porque não tem como evoluir no Brasil”, disse Caiado.
Na política externa, Caiado defendeu redirecionamento da atuação do Itamaraty para a abertura de mercados e o apoio direto ao setor produtivo brasileiro. Para o candidato, a diplomacia deve estar mais alinhada aos interesses econômicos e comerciais do país e menos sujeita a orientações ideológicas.
O candidato também abordou o cenário institucional brasileiro. Disse que a insegurança jurídica atual compromete a confiança da sociedade nas instituições e defendeu regras mais estáveis para orientar decisões econômicas. Mencionou avanços de outros países em indicadores sociais e educacionais como referência para reformas internas.

VOTO DISTRITAL
Kassab, por sua vez, apresentou o voto distrital e a reforma administrativa como prioridades de um eventual governo. Segundo ele, o modelo distrital aproxima o eleitor do representante eleito, enquanto a reforma administrativa buscaria maior eficiência na máquina pública.
O presidente da CACB, da Facesp e da ACSP, Alfredo Cotait Neto, destacou a presença de lideranças de diferentes estados no encontro. Defendeu maior diálogo entre os Poderes como caminho para avançar pautas de interesse do setor produtivo, entre elas a ampliação do teto do Simples Nacional para todas as faixas de empreendedores.
"O Brasil vive os desafios da falta de discussão e de aprofundamento. É preciso sintonia entre os Poderes, diálogo e bom trânsito com o Congresso Nacional. Para o setor produtivo, por exemplo, a questão do Simples é uma pauta em que o presidente tem muita influência, e precisamos de uma atualização urgente. O presidente deve articular e mobilizar a base, ainda que a aprovação caiba ao Congresso", disse Cotait.
Fontes: Diário do Comércio, CACB e ACSP
Fotos: https://www.flickr.com/photos/acsp_photos/albums/72177720335091355