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Epidemia das bets se intensifica e gasto das famílias com apostas passa a competir com despesas básicas, revela estudo da Acirp Ribeirão Preto

Notícias 08 de janeiro de 2026

Levantamento do Instituto de Economia Maurílio Biagi, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (IEMB-Acirp), aponta o avanço acelerado das apostas on-line no Brasil e os riscos desse novo comportamento de consumo para o varejo. 

A pesquisa reúne os principais estudos nacionais sobre o tema e sistematiza informações a respeito dos impactos econômicos e sociais do setor. O material indica que o mercado de apostas ganhou escala e passou a competir diretamente com recursos antes destinados a despesas essenciais das famílias, como alimentação e vestuário. 

“Temos um alerta importante sobre mudanças no comportamento de consumo. Isso afeta tanto o bem-estar dos trabalhadores, que acabam se endividando ao tentar lidar com as finanças pessoais por meio da sorte, quanto as empresas, que perdem a circulação dessa renda no comércio local”, afirma Sandra Brandani, presidente da Acirp Ribeirão Preto. 

O relatório do IEMB-Acirp mostra que os efeitos mais severos das apostas recaem sobre famílias de baixa renda e beneficiários de programas sociais, produzindo impactos de caráter regressivo. 

Dados da consultoria PwC, citados no estudo, indicam que, nas classes C, D e E, 76% dos gastos que antes eram destinados ao lazer e 5% dos recursos voltados à alimentação estão sendo redirecionados para apostas on-line. 

O volume anual gasto pelas famílias com bets já alcança entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões. 

PERFIL DO APOSTADOR 

O perfil predominante do apostador é formado por homens jovens, entre 18 e 30 anos, de baixa renda. Essa vulnerabilidade se reflete no endividamento: 58% dos apostadores possuem dívidas em atraso há mais de 90 dias. 

O relatório também aponta que jovens estão adiando ou abandonando a faculdade em razão dos recursos comprometidos com apostas. O estudo aborda ainda riscos associados à lavagem de dinheiro, à manipulação de resultados e ao uso de contas de terceiros. 

MOVIMENTAÇÕES BILIONÁRIAS 

A Lei nº 14.790/2023, que regulamentou o setor, estabeleceu a cobrança de 12% sobre a receita bruta do jogo (GGR) das casas de apostas e a incidência de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos apostadores. 

Dados da Receita Federal mostram que, após a regulamentação, a arrecadação com apostas digitais saltou de R$ 49 milhões no ano passado para R$ 7,9 bilhões em 2025, evidenciando a real dimensão do mercado de bets. 

“O crescimento expressivo da arrecadação não deve ser interpretado automaticamente como resultado de uma expansão súbita do consumo, sendo mais consistente com o processo de formalização e de ampliação da incidência tributária sobre um mercado que já operava em larga escala”, analisa o economista Lucas Ribeiro, responsável pela organização do estudo. 

Apesar disso, 88% da receita bruta do jogo (GGR) permanece concentrada nas plataformas de apostas. 

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam perdas de até R$ 103 bilhões para o varejo. 

MONITORAMENTO PERMANENTE 

Diante desse cenário, o IEMB-Acirp recomenda o monitoramento permanente do setor, o fortalecimento de ações de educação financeira e a realização de estudos regionais para orientar decisões de empresas e do poder público. 

A Rede de Associações Comerciais assinou um manifesto alertando para o crescimento descontrolado das apostas eletrônicas e as graves consequências sociais, econômicas e de saúde pública. 

Fonte: Acirp Ribeirão Preto

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